Gabriela Rousani Pinto

rpgabriela@outlook.com

             A polêmica do Uber ganhou mais um destaque nas redes sociais. A partir de um vídeo postado em um perfil do Facebook, que flagrava um motorista do Uber, empresa multinacional de transporte privado, sendo agredido por taxistas na cidade de Porto Alegre (RS), no dia 28 de novembro de 2015, o fato ganhou visibilidade e repercussão nas redes sociais e nas mídias tradicionais de comunicação e informação. A atitude tomada pelos taxistas gerou indignação principalmente aos porto-alegrenses, que, também por meio da rede social Facebook, organizaram um boicote aos táxis da cidade, no dia 1º de dezembro.

            O aplicativo de “carona paga” começou a funcionar em Porto Alegre uma semana antes da agressão e dividiu opiniões: apesar de proporcionar opção de escolha por parte dos usuários e ser mais barato em relação aos táxis, não existe uma regulação específica para esse tipo de serviço. No Brasil, a Lei número 12.468, de agosto de 2011, regulamenta a profissão de taxista e prevê “certificação específica, emitida pelo órgão competente”. “É atividade privativa dos profissionais taxistas a utilização de veículo automotor, próprio ou de terceiros, para o transporte público individual remunerado de passageiros”, diz o texto. Por isso, o Uber é considerado desleal por concorrer com taxistas, que precisam cumprir certificação.

            Apesar do aplicativo Uber causar estranhamento e não ter sido bem recebido por parcela da população, a fúria exacerbada de alguns taxistas ao espancarem um motorista contratado pela empresa, gerou repúdio e indignação por parte dos porto-alegrenses e, como protesto à violência, foi organizado, em um evento no Facebook, um boicote aos táxis da cidade, no dia 1º de dezembro, que somou mais de 100 mil apoiadores até o dia anterior à suspensão do uso do serviço de táxi.

            Já não é a primeira vez que, a partir da Internet, uma notícia ou informação ganha destaque nos meios tradicionais de comunicação, ou que as redes sociais, a partir de uma situação que gera comoção popular, proporcionam uma capacidade de mobilização por parte dos interessados em alguma causa. Nas palavras de Manuel Castells (2013, p. 14):

Os atores da mudança social são capazes de exercer influência decisiva utilizando mecanismos de construção do poder que correspondem às formas e aos processos do poder na sociedade em rede. Envolvendo-se na produção de mensagens nos meios de comunicação em massa e desenvolvendo redes autônomas de comunicação horizontal, os cidadãos da era da informação tornam-se capazes de inventar novos programas para suas vidas com as matérias-primas do seu sofrimento, suas lágrimas seus sonhos e esperanças.

            A conexão e comunicação proporcionadas pela Internet, principalmente por meio das redes sociais, permite o surgimento de um novo ator social, que obtém diversos vieses sobre um fato, que se comove, que reivindica e se mobiliza em tempo real acerca de assuntos pertinentes a sua realidade, que nem sempre ganham visibilidade pelas mídias em massa. Segundo Gustavo Cardoso (2007, p. 133):

A comunicação nas sociedades informacionais é, assim, caracterizada por processos de globalização comunicativa, pela alteração dos modelos de notícias e entretenimento, de articulação em rede da mídia e, consequentemente, da mediação em rede, num quadro cultural correspondente a uma cultura da virtualidade real – a cultura gerada num modelo informacional de sociedade que articula os seus processos sociais em rede num modelo de comunicação sintético em rede.

            A população se tornou participativa e a opinião popular adquiriu um poder de influência impensável antes da utilização da Web. Os agentes modificadores da realidade, agora, são todos os que estão descontentes e possuem vontade de agir e as redes sociais se tornaram o principal instrumento articulador de qualquer ação popular, por possibilitar a informação e a comunicação de uma maneira horizontal, constante e imediata.

REFERÊNCIAS

CARDOSO, Gustavo. A mídia na Sociedade em Rede. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2015/11/573324/Proposta-de-boicote-a-taxis-da-Capital-ja-soma-mais-de-100-mil-apoiadores

http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/noticia/2015/11/motorista-do-uber-e-espancado-por-taxistas-em-porto-alegre-4916393.html

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s