animais

Laura Pissetti Rossato

laura.rossato@hotmail.com

Todos os anos, aproximadamente setenta bilhões (70.000.000.000) de animais sencientes são mortos para fins de consumo humano, o que significa 33 mil mortes a cada 15 segundos, em média. Porém, a exibição da morte de um único animal causou polêmica nas redes sociais na última quinta-feira, 10 de março, em que foi ao ar no canal GNT o programa Tempero de Família, apresentado por Rodrigo Hilbert. Sob a justificativa de “estar chamando a atenção para se conhecer a procedência dos alimentos, para se entender como é a cadeia produtiva do que consumimos”, o apresentador capturou um borrego (filhote de ovelha) e o matou; carneando o animal com a ajuda de um pecuarista, para, logo após, assar um churrasco.

Levando em consideração que vivemos em uma sociedade em rede atualmente, esse fato provocou diversas reações na Internet, tanto defendendo a normalidade da conduta do apresentador, como criticando a brutalidade das cenas. Também houve quem apontasse a hipocrisia dos consumidores de carne que criticaram o programa, pois todos os animais que chegam à mesa tiveram de ser mortos – de forma tão ou mais cruel do que a utilizada por Rodrigo – mas longe dos olhos dos consumidores.

As manifestações dos internautas contrários ao que foi exibido no programa resultaram em um abaixo-assinado on-line em que se pede ao canal GNT que retire o programa de Rodrigo Hilbert do ar. O documento, que acusa o apresentador de ter matado a ovelha às gargalhadas, além de ter maltratado uma rã em outro episódio, contava com 33.350 apoiadores na data de acesso (15 mar. 2016), representando uma manifestação em rede de um movimento social organizado, qual seja, o movimento ambientalista e defensor dos direitos dos animais.

O canal GNT, através de sua página oficial na rede social Facebook, comentou a repercussão, declarando que entendia que as imagens podiam ser fortes, e, por isso, decidiu retirá-las do programa. O apresentador também publicou um texto em sua página, em que pede desculpas ao público ofendido com sua atitude e explica o objetivo de mostrar o abate do animal: “documentar a vida desses pequenos produtores, que cultivam e criam para o autoconsumo”.

Através desse fato exemplificativo, percebe-se o poder que a Internet, e sobretudo as redes sociais, são capazes de conferir aos movimentos sociais, na medida em que os casos concretos ganham um tipo de visibilidade que não era possível antes do advento das redes. As informações percorrem um caminho muito mais rápido e livre até chegar aos internautas, que podem se manifestar imediatamente sobre as notícias, contribuindo com opiniões e argumentos; e, assim, têm a possibilidade de gerar algum tipo de resultado prático por meio de suas declarações. No caso em tela, devido às inúmeras mensagens de repúdio ao conteúdo do programa, obteve-se uma atitude prática por parte do canal, o que certamente não teria ocorrido se não fossem as manifestações on-line.

REFERÊNCIAS

https://catracalivre.com.br/geral/mundo-animal/indicacao/rodrigo-hilbert-gera-revolta-ao-matar-filhote-de-ovelha-em-seu-programa-de-culinaria/

http://www.cantinhovegetariano.com.br/2013/10/onu-reafirma-que-industria-de-producao.html

https://www.change.org/p/gnt-rodrigo-hilbert-matou-um-filhote-de-ovelha-ao-vivo-tire-o-programa-dele-do-ar?recruiter=19652573&utm_source=share_petition&utm_medium=twitter&utm_campaign=share_twitter_responsive

http://extra.globo.com/tv-e-lazer/gnt-retira-cenas-de-rodrigo-hilbert-abatendo-novilho-apos-polemica-18873632.html

https://www.facebook.com/rodrigohilbert/posts/1065064183565529

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