Gabriela Rousani Pinto

gabrielarousanip@gmail.com

           O ativismo é compreendido como a atividade militante em prol de uma causa política, social ou cultural. A partir da utilização da Internet, os ativistas expandiram suas atividades tradicionais e desenvolveram outras, características da própria rede, a partir da difusão de informações e reivindicações sem mediação, a maior capacidade de mobilização e espaços de diálogo e troca de conhecimento.

Mudar a foto de perfil para manifestar apoio a vítimas de uma tragédia; utilizar uma hashtag para reunir denúncias sociais; retuitar fotos de protesto; cobrar autoridades nas redes sociais e desenvolver abaixo-assinados online, por exemplo, são estratégias típicas do uso da Internet largamente utilizadas. Entretanto, a eficácia desse tipo de ativismo online, apelidado pejorativamente de “ativismo de sofá”, é amplamente discutida.

Críticos afirmam que, apesar do evidente poder de pressão que redes sociais e plataformas digitais podem exercer nas decisões políticas, existe ainda uma falta de compreensão por parte da política institucionalizada em entender este fenômeno. A política institucionalizada não percebe a mobilização através das redes como a expressão de demandas reais.

Por outro lado, defensores salientam que o ativismo de sofá proporciona uma melhora na inteligência coletiva da população. Pierre Lévy, filósofo francês e autor de diversos livros sobre cibercultura, nega que esse tipo de mobilização seja menos legítima do que as manifestações tradicionais, como protestos na rua, e afirma ser necessário investir em alfabetização digital para elevar o nível de debate na internet.

Um estudo, conduzido pela professora Sandra Gonzáles-Bailón, da Universidade da Pensilvânia, e de Pablo Barberá, da Universidade de Nova York, demonstra que esse tipo de ativismo online pode colaborar com determinadas causas. A pesquisa analisou milhares de tuítes relacionados ao movimento Occupy em 2011, nos EUA, e aos protestos no Parque Gezi, em 2013, na Turquia. Também avaliaram a discussão online no Oscar em 2014 e no debate sobre o aumento do salário mínimo nos EUA.

Dentre outros resultados, a pesquisa mostrou que a informação e a reflexão sobre os acontecimentos é amplamente divulgada pelos próprios participantes, chegando ao conhecimento, inclusive, da “periferia digital”, o que permite suprir a omissão e a distorção de informações por partes dos meios tradicionais de comunicação, ampliando vozes e ações. Os “usuários periféricos” (aqueles que acompanhavam as manifestações apenas pela internet) não eram tão ativos quanto os que estavam verdadeiramente no local. No entanto, eles eram muito mais numerosos e conseguiam impactar mais pessoas do que os manifestantes. Por isso, no caso de atos políticos, “usuários periféricos” são tão importantes quanto os que protestam fisicamente.

Necessário salientar que o “ativismo de sofá” deve servir apenas como ferramenta complementar às outras formas de ativismo online e offline, para que efeitos mais abrangentes e significativos sejam alcançados em favor das causas defendidas, pois serve, principalmente como forma de divulgação e pode ser, em muitas situações, incompreendido por parte dos alvos das causas pretendidas.

 

Referências

ESTADÃO. “Não sou contra o ativismo de sofá” afirma o filósofo francês Pierre Lévy. Disponível em: <http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,nao-sou-contra-o-ativismo-de-sofa-afirma-o-filosofo-frances-pierre-levy,1007313&gt;. Acesso em: 01 out. 2016.

NEXO JORNAL. O ativismo de sofá pode funcionar. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2015/12/14/O-ativismo-de-sof%C3%A1-pode-funcionar.-Professores-estudaram-quatro-casos&gt;. Acesso em: 01 out. 2016.

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