Andyara Ludovico de Freitas
andy_lf93@hotmail.com

 É inegável a contribuição que as novas tecnológicas trouxeram para vida em sociedade. Hoje, conseguimos nos conectar com pessoas em todas as partes do mundo, fazendo desde operações simples até transações mais complexas usando nossos aparelhos eletrônicos. O próprio Bauman cita em seu livro Amor Líquido que hoje as relações sociais se desenvolvem na ponta dos dedos, através de nossos aparelhos eletrônicos.

No entanto, a ascensão tecnológica não representa apenas uma faceta profícua, revelando-se um espaço velado, para prática de muitas formas de violência. Os ciberespaços, como são chamados, denotam-se também como ambientes capazes de propagar a violência de forma online, tornando-se o ambiente ideal para prática de diversas atividades infamantes, como o sexting.

Sexting é uma palavra inglesa, formada pela contração das palavras sex (sexo) e texting (texto). A prática caracteriza-se pela disseminação de fotos, vídeos e mensagens com conteúdo pornográfico ou obsceno pelas redes sociais como Whatsapp, Facebook, Telegram, Instagram, snapchat, blogs, etc, de forma espontânea, podendo ser praticada tanto por crianças e adolescentes quanto por adultos.

O fenômeno configura-se de forma simples, basta uma câmera fotográfica, um celular ou uma webcam, algumas posições sensuais, que o “entretenimento” se inicia. A prática, que para muitos não passa de uma brincadeira, em muitos casos assume um viés sombrio, alcançando proporções inimagináveis, como o caso de uma jovem de 17 anos de idade, que no ano de 2013, após ter imagens íntimas divulgadas, tirou a própria vida. E esse é apenas um dos diversos casos que vitimou pessoas em nosso país.

A ONG SAFERNET BRASIL, entidade que há alguns anos vem dispendendo pesquisas sobre o tema, alerta que o número de vítimas de sexting aumenta consideravelmente ano após ano. É certo que o assunto é sério e, suscita muitas discussões, necessitando sem dúvida, de uma colaboração intensa de diversas áreas cognitivas.

No entanto, percebe-se que o assunto é tratado com desmazelo, consubstanciando uma série de violações a direitos fundamentais nos ciberespaços, como a imagem, a honra, a dignidade, que quando atingidos produzem corolários imensuráveis, tanto físicas quanto psíquicas, para suas vítimas.

Além do risco do sexting, alguns neurologistas tem mencionado a existência de “doenças” relacionadas ao uso demasiado das novas tecnologias de informação e comunicação, tais como:

 

  • NOMOPHOBIA: é aquela sensação de angústia e ansiedade que a iminente ausência do celular pode provocar, podendo ser definida como o medo de ficar desconectado da internet por algum motivo;
  • SÍNDROME DO TOQUE FANTASMA: é aquela falsa percepção de que o telefone esteja tocando ou vibrando, na bolsa, na mochila ou até mesmo no bolso.
  • NÁUSEA DIGITAL: é aquela sensação de interação que os usuários abstratamente pensam ter com seus aparelhos digitais.
  • DEPRESSÃO DO FACEBOOK: acontece em função das interações nas redes sociais ou ausência delas (o usuário ao observar outros, coloca-se em uma situação de inferioridade).
  • TRANSTORNO DE DEPENDÊNCIA DA INTERNET: ocorre quando há uma compulsão em acessar a internet, mesmo que não se tenha algo específico para fazer nela.
  • VÍCIOS EM JOGOS ONLINE: pode ser definido como a compulsão por jogos online.
  • HIPOCONDRIA DIGITAL: uma variação do hipocondríaco, com a distinção está pensa estar com a doença que leu em algum determinado momento na internet.
  • EFEITO GOOGLE: é uma inclinação em adquirir pouca informação, tendo em vista que é muito simples descobrir as coisas através da pesquisa.

As novas tecnologias evoluíram muito nos últimos anos do século XX. Essa evolução não só encurtou distâncias geográficas, como produziu mudanças nas formas de relacionamento interpessoais. Atualmente as relações sociais estão cada vez mais alicerçadas nos ambientes virtuais e de conectividade simultânea. O avanço tecnológico permite uma propagação cada vez maior de informação, transformando de forma significativa a vida da sociedade, alterando-se limites, padrões de educação e a própria convivência familiar e comunitária.

As mudanças ocorridas nos últimos anos transformaram a estrutura da sociedade brasileira positivamente, promovendo facilitações para seus usuários.  Sem embargo, o ingresso nessa nova era digital, não pode ocorrer em desacordo a direitos fundamentais.

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