Luísa Dallanora Vendruscolo

luisadvendruscolo@gmail.com

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Fonte: Getty Images.

O bullying, infelizmente, é uma prática recorrente no cotidiano dos adolescentes brasileiros. Contudo, vem tomando grande dimensão a figura do cyberbullying, cada vez mais comum devido ao constante uso da internet.

Uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), realizada em outubro de 2017, mediu o comportamento online de jovens. Os dados revelaram que, de cada quatro crianças e adolescentes, um foi tratado de forma ofensiva na internet, o que corresponde a 5,6 milhões de meninos e meninas entre 9 e 17 anos. O percentual cresce ano a ano: passou de 15% em 2014 para 20% em 2015 até chegar a 23% em 2016.

Diante disto, a UNICEF e o Facebook, em parceria com a empresa de comportamento Sherpas lançaram, em 19 de fevereiro de 2018, plataforma de Inteligência Artificial, batizada de Caretas, com o objetivo de conscientizar adolescentes e jovens a compreender o sexting[1] – uma das formas de cyberbulling e mostrar-lhes os riscos de se compartilhar imagens íntimas na internet e o que eles podem fazer em situações desse tipo.

Nela, adolescentes a partir de 13 anos interagem por meio de um bot[2] no Messenger, com a personagem fictícia Fabi Grossi, uma jovem de 21 anos que teve um vídeo íntimo vazado nas redes sociais por seu ex-namorado, após o término do relacionamento.  Para aumentar a identificação dos adolescentes brasileiros, fora contratada uma atriz para “dar cara” ao projeto e a personagem fala gírias e envia áudios, vídeos e selfies.

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Fonte: Victor Caputo/Exame.

Durante pelo menos 48 horas, os adolescentes passam a ser os melhores amigos de Fabi, trocando experiências, conselhos e aprendendo como lidar com situações de compartilhamento de imagens íntimas sem autorização, bem como são apresentadas formas efetivas de se buscar ajuda em situações de violência online, como o helpline da ONG SaferNet Brasil.

Conforme explica Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil, “O Caretas é uma ferramenta digital que nos dá a oportunidade de conversar individualmente com cada adolescente, no ambiente em que ele está presente e na linguagem que ele costuma usar. Toda a vivência dele na ferramenta tem o objetivo de criar empatia com a nossa personagem e informá-lo sobre os riscos do ambiente online”. Acrescenta ainda que “Essa experiência também amplia as fronteiras do engajamento digital e nos dá novos caminhos para comunicar e mobilizar as pessoas para os temas relacionados aos direitos da criança e do adolescente”.

Segundo a gerente de Programas de Segurança do Facebook para América Latina, Daniele Kleiner, a rede social tem criado uma ferramenta que visa impedir que as pessoas façam o upload de uma imagem íntima não consentida e outra de reconhecimento facial, que avisa a pessoa quando alguém fizer o upload de uma foto que pode ser dela.  Afirma Daniele que “As ações educativas são essenciais para que as pessoas entendam como podem ajudar a criar um ambiente online mais acolhedor para todos. Acreditamos que o Caretas é uma iniciativa incrível justamente por unir tecnologia a um componente educativo e interativo para falar com adolescentes sobre segurança online de uma forma que faz sentido para eles”.

Para o cofundador da empresa de relacionamentos Sherpas, Gastón Gertner, “Nossa inspiração vem dessa conversa individual e personalizada da Fabi com os adolescentes. O objetivo do diálogo é informar os adolescentes e entender seus comportamentos, gerando empatia e lhes dando conhecimento para se proteger. Para nós, o Caretas é um exemplo de como podemos gerar impacto positivo em assuntos fundamentais relacionados à adolescência”.

Conforme publicado no Relatório Anual da UNICEF, a utilização de bots nas redes sociais é uma forma extremamente eficaz para chamar a atenção de adolescentes, sendo expressivos os resultados após cerca de um mês de lançamento do Caretas, como demonstram os dados abaixo:

Capturar

Para iniciar uma conversa com a Fabi, basta entrar em www.facebook.com/ProjetoCaretas/   e clicar em “Enviar Mensagem”.

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[1] Divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de celulares.

[2] Aplicação de software concebido para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão, da mesma forma como faria um robô.

 

REFERÊNCIAS

CAPUTO, Victor. Unicef debate “pornô de vingança” com ficção no Messenger. Exame, São Paulo, 19 fev. 2018. Disponível em: < https://exame.abril.com.br/tecnologia/unicef-debate-porno-de-vinganca-com-ficcao-no-messenger/>. Acesso em: 02 jun. 2018.

MARQUES, Júlia. 1 em cada 4 crianças já sofreu ofensas na internet; cyberbullying desafia pais. Estadão, São Paulo, 17 dez. 2017.  Disponível em: <https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,1-em-cada-4-criancas-ja-sofreu-ofensas-na-internet-cyberbullying-desafia-pais,70002122721&gt;. Acesso em: 02 jun. 2018.

UNICEF e Facebook apresentam ferramenta de inteligência artificial que fala com adolescente sobre segurança online. Disponível em: < https://www.unicef.org/brazil/pt/media_38066.html&gt;. Acesso em: 02 jun. 2018.

UNICEF. UNI – Relatório Anual do UNICEF Brasil. Ano 14, nº 39, Março de 2018. Disponível em: < https://www.unicef.org/brazil/pt/UNI_39.pdf&gt;. Acesso em: 02 jun. 2018.

 

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