Por Pillar Cornelli Crestani

Durante a pandemia da Covid-19 – considerada a “maior crise sanitária mundial da nossa época”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) [1] – certamente você já deve ter se deparado, no âmbito virtual, com uma série de conteúdos equivocados e enganosos a respeito de todo o contexto que envolve o novo Coronavírus. São informações que circulam na internet e que acabam influenciando negativamente o discurso e o comportamento das pessoas no mundo offline, gerando grandes prejuízos à saúde individual e coletiva.

Dentre esses conteúdos, é possível elencar os discursos sensacionalistas e negacionistas; as teorias conspiratórias; e a disseminação de informações desprovidas de embasamento científico, como, por exemplo, as que sugerem a adoção de tratamentos ineficientes e de falsas curas para a Covid-19. Além disso, também houve (e continua havendo) intensa discussão a respeito da eficácia das medidas preventivas em relação ao novo Coronavírus recomendadas pela OMS, como a necessidade de efetuar o distanciamento social e fazer uso de máscaras de proteção, a fim de evitar ser infectado pelo vírus ou transmiti-lo a terceiros, reduzindo, assim, os índices de contaminação pela doença [2].

Outro assunto que se tornou extremamente polêmico, nesse contexto, foi a questão da imunização contra a Covid-19. Por conta de uma série de teorias conspiratórias e devido à forte atuação do movimento antivacina na internet, grande parte das pessoas passou a duvidar da eficácia e da segurança dos imunizantes contra o novo Coronavírus, optando, assim, por não aderir à vacinação – o que é completamente prejudicial, tendo em vista que as vacinas consistem em um pacto coletivo de saúde pública, prezando pelo bem-estar de toda a população.

Nessa perspectiva, é possível afirmar que a desinformação virtual – que, geralmente, é motivada por razões políticas, ideológicas e econômicas – está comprometendo seriamente o enfrentamento da crise sanitária vigente, a ponto de a OMS ter decretado que estamos vivenciando uma “infodemia”, que nada mais é do que uma “pandemia de desinformação” concomitante à da Covid-19 [3]. 

Por conseguinte, não se pode deixar de destacar que a internet – mais especificamente as redes sociais – acabam potencializando os efeitos da desinformação no mundo offline, tendo em vista a velocidade de propagação dos conteúdos no meio virtual e a possibilidade de anonimato que é conferida aos internautas, combinada à falsa ideia do exercício irrestrito da liberdade de expressão.

Por fim, salienta-se que, nesse período de crise pelo qual estamos passando, além da necessidade de confiar nas instituições científicas, seguindo as recomendações dos organismos de saúde, bem como cada um fazendo a sua parte no combate à pandemia, entende-se necessário que também tenhamos responsabilidade em relação aos conteúdos que acessamos e que compartilhamos na internet.

Para tanto, devemos aderir ao hábito de consumir, de forma crítica, as informações que circulam nas redes, exercendo o chamado “ceticismo saudável”, que consiste em, primeiramente, duvidar da veracidade dos conteúdos virtuais e, em seguida, verificar a sua autenticidade, por meio de fontes jornalísticas ou através de agências de checagem de notícias. Todos esses aspectos pressupõem, portanto, uma mudança na consciência coletiva e são fundamentais para superarmos a pandemia da Covid-19, resguardando, assim, o direito informacional dos internautas e, especialmente, protegendo a saúde pública.

REFERÊNCIAS

[1] OMS considera coronavírus ‘maior crise sanitária mundial da nossa época’. Uol. São Paulo. 16 mar. 2020. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas%5B1%5Dnoticias/afp/2020/03/16/oms-considera-coronavirus-maior-crise-sanitaria-mundial-da-nossa%5B1%5Depoca.htm. Acesso em: 25 abr. 2021.

[2] ORGANIZAÇÃO Pan-Americana da Saúde. Entenda a infodemia e a desinformação na luta contra a COVID-19. 2020. Disponível em: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52054/FactsheetInfodemic_por.pdf?sequence= 14. Acesso em: 25 abr. 2021.

[3] WORLD Health Organization. Novel Coronavirus (2019-nCov): Situational Report. 13 fev. 2020. Disponível em: https://www.who.int/docs/defaultsource/coronaviruse/situation%5B3%5Dreports/20200202-sitrep-13-ncov-v3.pdf. Acesso em: 25 abr. 2021.

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