Por Luan Moraes Romero

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) sofreu a invasão de um ransomware, um tipo de vírus virtual, que deixou o órgão sem acesso aos sistemas por mais de 24 horas em abril. Esse tipo de ataque não é novo no âmbito judiciário, já que no ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) também foi alvo de cibercriminosos. Com o avanço exponencial da tecnologia, as profissões de segurança, que atuam na prevenção e proteção dos cidadãos também se atualizam e reinventam. Nessa perspectiva, o Centro de Estudos e Pesquisas em Direito & Internet entrevistou o perito forense digital Romullo Carvalho, que no Instagram mantém o perfil @rcperitodigital, para saber mais sobre a sua jornada de formação e seu cotidiano.

Ele também irá fazer a palestra “O que a internet sabe sobre você?” no dia 27 de maio de 2021, às 18 horas, no Canal do CEPEDI no YouTube. O evento não requer inscrição prévia, e o formulário de comparecimento será enviado pelo chat do evento no YouTube para posterior envio dos certificados. Confira a entrevista a seguir e siga o CEPEDI nas redes sociais para saber mais informações sobre os novos eventos.

1) Com relação à formação acadêmica para se tornar um perito digital, como foi a tua trajetória?

Estava em fase de conclusão do curso Gestão de Tecnologia da Informação, quando houve uma semana acadêmica de tecnologia e pude ter contato com algumas palestras sobre Perícia Forense Digital, ministradas por peritos da Associação Nacional dos Peritos em Computação Forense – APECOF. Após as palestras procurei mais informações sobre a área e resolvi investir na mesma. Fiz um curso com o professor Marcos Monteiro, me associei à APECOF e ingressei de cabeça na Perícia Forense. Logo após a conclusão da graduação iniciei uma pós (graduação) em Áudio e Imagem Forense na BluEAD, o que foi muito enriquecedor, e as oportunidades foram surgindo. Lecionei sobre o tema nos cursos da The Forense, trabalho em casos pro bono para a ONG Marias da Internet, Innocence Project e recentemente fechei parceria com o Projeto Justiceiras

2) Como é o dia-a-dia de um perito digital?

Temos um cotidiano bem dinâmico, pois em alguns momentos estamos realizando análises e em outros estamos nos aprofundando em uma técnica ou tecnologia e impreterivelmente sempre buscando novos conhecimentos. Levando em consideração a velocidade da informação e do avanço tecnológico atualmente, tudo que estudamos hoje pode em pouco tempo se tornar obsoleto devido a dinamicidade da área. Sendo assim o perito deve estar sempre se reciclando e buscando conhecimentos de ferramentas, metodologias, normas técnicas, procedimentos operacionais e outros mais. Além desses conhecimentos, o perito deve estar atento a como prevenir e identificar a autoria dos golpes que estão sendo mais comuns. Essa é um pouco da realidade do dia-a-dia do perito digital.

3) Como você percebe a emergência da profissão de “perito digital”? Qual a atuação no mercado de trabalho?

Existe uma grande necessidade do profissional no mercado, pois o mesmo possui uma atuação diferenciada e com grande expertise, além de possuir conhecimentos periciais bem específicos. Para este profissional existe um grande campo de atuação, desde perícia jurídica, que pode ser contratado como perito ad-hoc conforme o artigo 156 do Código de Processo Civil (CPC) ou 159 do CPP (Código de Processo Penal), como assistente técnico em uma ação judicial conforme o artigo 95 do CPC, ou ainda perito particular.

O perito atuará desde o momento da coleta de vestígios, ao momento de exame, análise e produção de laudo ou parecer técnico. Os peritos digitais atuam também em investigações, sendo necessário fazer um levantamento de informações sobre um suspeito.

4) Como você analisa as políticas públicas do Brasil no tratamento de dados pessoais dos seus cidadãos? Que aspectos você ressalta como avanços? E como retrocessos?

Se olharmos para a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), vemos uma legislação que visa a proteger os dados do cidadão bem como proteger a população de abusos que possam vir a ser cometidos por empresas ou outros mais. Porém na prática, vemos algo muito diferente. A máquina pública não pensa em segurança digital, pois é possível encontrar muitos documentos que não deveriam estar públicos, sites que não possuem segurança mínima e que apresentam falhas antigas e conhecidas por diversos hackers, sejam éticos ou não. Acredito que a LGPD veio para somar, e essa legislação sendo levada a sério e estando em perfeito funcionamento, teremos uma camada de segurança maior.

5) Na palestra a ser feita no dia 27, você vai tratar sobre “O que a internet pode saber sobre você?”. Pode nos adiantar brevemente sobre o que as pessoas não podem deixar de saber sobre o que a Internet sabe?

É importante que as pessoas saibam do princípio básico da Ciência Forense, a esse respeito o perito francês Edmond Locard nos diz:  “Todo contato deixa uma marca”. Esse princípio pode ser estendido para a internet, compreendendo que todas as informações que param na Internet, deixam rastros. Ou seja, se em algum momento da vida um dado seu apareceu na internet, ele fica na internet. Parte então da importância dos cuidados que devem ser tomados quando estamos no mundo virtual, onde os dados que uma vez entram, provavelmente nunca mais saiam.

Um comentário em “O que a internet sabe sobre você: entrevista com Romullo Carvalho, perito digital

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